Renda Fixa

Pré-fixado vs Pós-fixado

também conhecido como: renda fixa pré e pós, prefixado vs pós-fixado

Pré-fixado tem taxa conhecida na compra; pós-fixado tem taxa que varia conforme um indexador (CDI, Selic, IPCA). Cada um se comporta diferente em ciclos de juros.

Pré-fixado e pós-fixado são as duas grandes categorias de remuneração em renda fixa. A diferença está em quando o investidor sabe o quanto vai render.

**Pré-fixado**: - Taxa nominal definida no momento da compra (ex: 12% a.a.). - Investidor sabe exatamente quanto receberá no vencimento. - Não acompanha movimentos da Selic ou da inflação durante a vida do título. - Vence quando juros caem (preço sobe) ou quando inflação fica baixa (rentabilidade real preservada). - Perde quando juros sobem (preço de mercado cai) ou quando inflação dispara (poder de compra corroído).

**Exemplos**: LTN, NTN-F, CDB prefixado, debênture prefixada.

**Pós-fixado (atrelado a um indexador)**: - Taxa varia ao longo do tempo, acompanhando um indexador. - Indexadores principais: - **CDI / Selic**: rendimento acompanha a taxa de juros básica. Ex: "110% do CDI". - **IPCA**: rendimento acompanha a inflação. Geralmente combinado com juro real prefixado: "IPCA + 6%". - **TR / TLP / outros**: menos comuns ou usados em contextos específicos (poupança usa TR). - Investidor não sabe na compra o quanto receberá no vencimento — depende da evolução do indexador. - Em ciclos de alta de juros: pós-CDI rende muito (Selic em 14%) — vence o prefixado. - Em ciclos de queda de juros: prefixado travado lá em cima rende muito mais que CDI caindo.

**Exemplos**: Tesouro Selic (LFT), CDB CDI%, LCI CDI%, fundos DI, debênture CDI+.

**Híbridos (IPCA + taxa)**: - Combinam pós-fixado (IPCA) com pré-fixado (juro real). - Protegem contra inflação e ainda travam um juro real. - Exemplos: NTN-B (Tesouro IPCA+), debênture incentivada IPCA+, CRI IPCA+.

**Estratégia conforme o ciclo**:

- **Selic alta e expectativa de queda**: pré-fixado e IPCA+ longos (travar a taxa alta antes que caia). - **Selic baixa e expectativa de alta**: pós-fixado em CDI (não trava taxa baixa, acompanha a alta). - **Cenário incerto / alta inflação**: IPCA+ é a melhor defesa (acompanha inflação e ainda dá juro real). - **Reserva de emergência (sem importar ciclo)**: pós-fixado CDI/Selic (LFT, CDB DI), por causa da liquidez e baixa volatilidade.

**Marcação a mercado**: - Pré-fixado tem forte marcação a mercado (oscilação de preço com mudança de juros). - Pós-fixado CDI tem oscilação mínima (acompanha a Selic em tempo real). - IPCA+ tem marcação a mercado significativa (oscilação com mudança da taxa real).

**Combinação na carteira**: a estratégia clássica é diversificar entre os três tipos para não apostar tudo em um cenário macro.

**Erro comum do iniciante**: optar pelo pré só porque "a taxa parece alta" sem considerar marcação a mercado. Em ciclo de alta de juros, o investidor entra em prejuízo se precisar vender antes.

Fórmula

Comparação justa: para pré-fixado a 12% vs pós-fixado em CDI: se CDI médio do período ficar acima de 12%, o pós-fixado vence; abaixo, o pré-fixado vence. Para pré vs IPCA+: pré-fixado vence se inflação acumulada ficar bem abaixo da diferença entre a taxa pré e a taxa real do IPCA+.

Exemplo prático

Em jan/2026, com Selic em 13,5%, Pedro hesita entre: - CDB pré-fixado 5 anos a 13% a.a. - CDB pós-fixado 5 anos a 105% do CDI. Se Selic média dos 5 anos for 11%, pós-fixado rende ~11,55% (105% × 11%) — pré-fixado vence (13%). Se Selic média for 14%, pós-fixado rende ~14,7% — vence o pré-fixado. É uma aposta sobre o ciclo monetário. Diversificar reduz o risco da aposta única.

Quando usar

Decisão fundamental em qualquer alocação de renda fixa. A escolha depende do horizonte, do ciclo de juros e do objetivo do dinheiro.

⚠ Armadilhas comuns

1. Travar tudo em pré-fixado em ciclo de alta de juros e sofrer marcação a mercado. 2. Ficar 100% em pós-fixado em ciclo de queda de juros e perder a chance de travar taxa alta. 3. Ignorar a inflação — pré-fixado nominal aparenta alto mas pode ser baixo em termos reais. 4. Concentrar reserva de emergência em pré-fixado de longo prazo — péssimo para liquidez. 5. Confundir 100% do CDI com Selic exata — CDI é levemente menor que Selic na prática. 6. Achar que IPCA+ é "misto" sem entender que ainda tem marcação a mercado relevante. 7. Não diversificar entre os três tipos e ficar refém de uma única aposta macro.

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