Renda Fixa

Yield Curve (Curva de Juros)

também conhecido como: curva de juros, estrutura a termo de taxas

Gráfico das taxas de juros (YTM) de títulos de mesmo emissor para diferentes prazos. Reflete expectativas do mercado sobre crescimento e inflação.

Yield curve, ou curva de juros, é a representação gráfica das taxas de retorno (YTM) de títulos de um mesmo emissor (geralmente o governo) plotadas contra seus prazos. No eixo horizontal: prazo até o vencimento (de 1 mês a 30+ anos). No eixo vertical: taxa de juros correspondente.

**Por que importa**: a curva é um termômetro do mercado. Reflete como o mercado precifica o futuro — expectativas de inflação, juros do banco central, crescimento econômico e risco fiscal. É uma das ferramentas mais usadas por bancos centrais, gestores e economistas.

**Formatos típicos**:

1. **Curva normal (positiva)**: prazos longos têm taxa maior que curtos. Forma ascendente. Reflete expectativa de economia em crescimento, inflação controlada, prêmio por prazo (investidor pede mais para travar dinheiro por mais tempo).

2. **Curva invertida**: prazos curtos têm taxa maior que longos. Forma descendente. Sinal clássico de recessão à frente — o mercado espera que o banco central vá cortar juros para enfrentar uma desaceleração. Nos EUA, inversão da curva (10 anos abaixo de 2 anos) precedeu praticamente todas as recessões dos últimos 50 anos.

3. **Curva achatada (flat)**: pouca diferença entre prazos. Pode ser fase de transição (saindo de normal para invertida ou vice-versa). Geralmente indica incerteza.

4. **Curva com forma específica (hump, ou em "corcova")**: meio com taxa alta, pontas mais baixas. Reflete situações complexas — geralmente ajuste em ciclos monetários.

**No Brasil**: a curva de juros é construída principalmente a partir de: - DI Futuro (mercado de derivativos da B3, contratos sobre a taxa DI). - LTNs (taxa nominal pré). - NTN-Bs (taxa real, IPCA+).

A "curva DI" é a referência operacional usada por mesas de tesouraria. Mostra a expectativa do mercado sobre a Selic em cada momento futuro.

**Decomposição da taxa longa**: Taxa de 10 anos = Selic atual + expectativa de evolução da Selic + prêmio de prazo + prêmio de risco fiscal.

Quando a curva longa explode no Brasil sem mudança na Selic atual, geralmente está sinalizando preocupação com fiscal/risco-país.

**Aplicações práticas**: - **Apostar em achatamento ou desinversão**: estratégias de gestor (vender curto / comprar longo, ou vice-versa). - **Escolher prazo de aplicação pessoal**: se a curva está muito inclinada ("steepening"), travar prefixado longo paga prêmio gordo, mas com risco se a aposta de queda de juros não se confirmar. - **Avaliar política monetária**: curva invertida pressiona o BC a cortar juros; curva ingrime pressiona a subir.

Fórmula

Não há fórmula única — a curva é construída a partir dos YTMs observados (interpolando entre pontos). Bootstrap é a técnica para extrair taxas spot a partir de títulos com cupom.

Exemplo prático

Em dezembro de 2025, a curva DI brasileira mostrava: DI de 6 meses a 13,2%, DI de 2 anos a 13,5%, DI de 5 anos a 12,8%, DI de 10 anos a 12,5%. Curva levemente invertida no longo prazo. Mercado precificando: Selic permanecendo alta no curto/médio, com cortes mais agressivos depois. Investidor que travasse prefixado de 10 anos a 12,5% apostaria que a Selic média até 2035 ficaria abaixo disso.

Quando usar

Ferramenta de leitura macro essencial para qualquer decisão de prefixado/IPCA+. Acompanhar o movimento da curva ajuda a entender o que o mercado está descontando.

⚠ Armadilhas comuns

1. Achar que curva longa é "o que vai acontecer" — é o que o mercado espera; pode estar errado. 2. Reagir apenas a movimentos da curva sem entender o que está movendo (Selic, fiscal, externo). 3. Confundir curva invertida sempre com recessão — funciona em mercados desenvolvidos com bancos centrais ortodoxos; em emergentes, pode refletir distorções fiscais. 4. Travar prefixado longo só porque a taxa parece alta sem entender o risco de marcação a mercado e o custo de oportunidade. 5. Olhar só uma parte da curva — o vértice de 10 anos pode estar reagindo a fiscal, o de 2 anos a Copom. Lógicas diferentes. 6. Achar que curva de DI é "a verdade" — é só uma das peças. NTN-Bs mostram outra leitura (real vs nominal).

Termos relacionados