Mentalidade
Diretiva antecipada de vontade
também conhecido como: testamento vital, declaração de vontade antecipada
Documento em que a pessoa declara, com capacidade plena, como quer ser tratada em situações futuras de incapacidade, especialmente sobre cuidados de saúde, fim de vida e administração patrimonial.
Diretiva antecipada de vontade (DAV) é a manifestação prévia, feita por pessoa capaz, sobre como ela quer ser tratada em situações futuras nas quais não puder mais expressar sua vontade. Engloba dois grandes campos: testamento vital (instruções sobre cuidados médicos e fim de vida) e mandato duradouro (designação de pessoa para tomar decisões patrimoniais e existenciais em seu nome).
No Brasil, a DAV está regulada pela Resolução 1.995/2012 do Conselho Federal de Medicina para a parte de cuidados médicos. Permite registrar recusa a tratamentos extraordinários, escolha por cuidados paliativos, posição sobre reanimação cardiopulmonar, alimentação artificial, ventilação mecânica e outros procedimentos invasivos em casos terminais. Médicos devem respeitar a DAV se ela estiver clara, atual e não ferir ética profissional.
A parte patrimonial é menos regulada, mas amplamente aceita como expressão de autonomia. A pessoa pode designar, por escritura ou documento autêntico, quem deve administrar seus bens em caso de incapacidade futura, como devem ser tomadas decisões financeiras, regras para venda de bens e cuidados com a família.
Vantagens em planejamento sucessório e patrimonial: 1) Reduz disputas familiares em momentos de crise médica; 2) Antecipa decisões difíceis quando ainda há capacidade plena; 3) Pode evitar curatela judicial em casos limítrofes; 4) Documenta vontade do titular para uso por médicos, familiares e Justiça; 5) Complementa procuração ampla e testamento.
Formalização recomendada: escritura pública em cartório de notas, com indicação de testemunhas, médico de confiança e procurador para representação. Cópia entregue a familiares, ao médico-base e ao plano de saúde. Validade: enquanto não for revogada.
Limites: não pode autorizar eutanásia ativa (ilegal no Brasil), nem disposições contrárias à legislação. Pode autorizar ortotanásia (suspensão de tratamentos extraordinários em terminais), sedação paliativa e recusa de procedimentos invasivos.
Exemplo prático
⚠ Armadilhas comuns
Perguntas frequentes
DAV tem validade legal no Brasil?
Sim, especialmente para questões médicas (resolução CFM). A parte patrimonial é aceita como expressão de autonomia, com mais segurança se lavrada em escritura pública.
Médico é obrigado a seguir testamento vital?
Sim, se a DAV estiver clara, atual, não ferir a lei e a ética profissional.