Fundamentos

Tabela Price

também conhecido como: Sistema Francês de Amortização, sistema price

Sistema de amortização em que a parcela é fixa do início ao fim do contrato (em termos nominais). Nos primeiros meses, a maior parte da parcela é juros; só no fim a amortização predomina.

A Tabela Price é o sistema usado tradicionalmente em financiamentos de veículos, crédito consignado e em parte dos financiamentos imobiliários. A lógica é matemática: o banco calcula uma parcela única que, paga durante todo o prazo, quita o valor financiado com os juros pactuados.

O resultado é que a parcela parece estável e previsível. Em um financiamento de R$ 400 mil em 360 meses a 10% ao ano, a parcela mensal é de R$ 3.510 e fica nesse valor do começo ao fim (em termos nominais, sem considerar correção pela TR ou inflação que muitos contratos têm).

Dentro de cada parcela, a composição muda silenciosamente. Nos primeiros meses, talvez 95% da parcela seja juros e só 5% amortização. Você está pagando muito e devendo quase a mesma coisa que no início. Lá pelo meio do contrato, a divisão se equilibra. No fim, a amortização domina.

Essa estrutura faz a Tabela Price pagar mais juros totais do que a SAC para o mesmo prazo e taxa. A diferença pode passar de R$ 100 mil em financiamentos longos. Em compensação, a Price acomoda orçamentos mais apertados na largada, porque a parcela inicial é menor que a da SAC.

Há uma discussão antiga sobre se a Tabela Price gera juros sobre juros (anatocismo). A jurisprudência brasileira pacificou que não é anatocismo proibido, é apenas a matemática de juros compostos aplicada de forma transparente. O STJ confirmou a legalidade da Price em contratos imobiliários e de crédito em geral.

Quem amortiza extraordinariamente na Price ganha muito: como o cronograma é recalculado, cada R$ 1.000 antecipado nos primeiros anos derruba o saldo devedor que estava sendo cobrado quase só em juros. Por isso, financiar pela Price e amortizar agressivamente nos primeiros 5 anos pode ser uma estratégia sensata para quem tem renda variável e prefere segurança na parcela base.

Fórmula

Parcela = PV × [i × (1+i)^n] / [(1+i)^n − 1] | PV = valor financiado, i = taxa mensal, n = nº de parcelas

Exemplo prático

Financiamento de R$ 300 mil em 360 meses a 10% ao ano. Parcela fixa: aproximadamente R$ 2.633. Total pago em juros: cerca de R$ 648 mil. Na 1ª parcela, R$ 2.500 são juros e apenas R$ 133 amortização.

⚠ Armadilhas comuns

1. Confundir parcela estável com financiamento barato — a Price paga mais juros totais que a SAC. 2. Não aproveitar os primeiros anos para amortizar extra, deixando o saldo devedor parado quase intacto enquanto paga só juros. 3. Ignorar a correção pela TR ou índice de preços nos contratos imobiliários: a parcela só é fixa em termos nominais sem indexador, o que é raro hoje.

Perguntas frequentes

Tabela Price tem juros sobre juros?

Tem juros compostos, como qualquer financiamento. A jurisprudência considera legal e não enquadra como anatocismo proibido.

Vale escolher Price em vez de SAC?

Quando o orçamento não aguenta a parcela inicial mais alta da SAC, ou quando o plano é amortizar muito nos primeiros anos para reduzir o saldo devedor.

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