Renda Fixa

Marcação a Curva vs Marcação a Mercado

também conhecido como: pricing à curva, pricing a mercado

Duas formas de precificar um título de renda fixa ao longo do tempo. A curva ignora oscilações do mercado; a mercado reflete preços atuais negociados.

Marcação a Curva e Marcação a Mercado são os dois métodos contábeis usados para registrar o valor de um título de renda fixa entre a compra e o vencimento. A escolha do método influencia profundamente o que o investidor vê no extrato e como percebe ganhos/perdas no caminho.

**Marcação a Curva** (também chamada de marcação a vencimento): - Assume que o investidor vai segurar o título até o vencimento. - O preço cresce de forma suave, linear, conforme a taxa contratada na compra. - Não há oscilação visível no extrato — o saldo só sobe. - Padrão para CDB, LCI, LCA, debêntures comuns, fundos de previdência conservadores e algumas carteiras administradas.

**Marcação a Mercado**: - Reflete o preço pelo qual o título seria vendido hoje no mercado. - Oscila conforme as taxas de juros do mercado mudam. - Pode mostrar ganhos (se as taxas caíram) ou perdas (se subiram) — mesmo que o investidor pretenda segurar até o vencimento. - Padrão para Tesouro Direto, fundos de renda fixa, ETFs de renda fixa e, desde 2023, também para alguns produtos bancários por exigência da CVM/Anbima.

**Quando o investidor sente a diferença**: nos extratos. Quem comprou tesouro prefixado em 2020 a 7% a.a. viu o valor cair 15-20% em 2022 com a alta da Selic (marcação a mercado). Quem tinha o mesmo título em CDB de mesma taxa via o saldo apenas subir suavemente (marcação a curva).

**Mas na prática, o que importa**: - **Se o investidor segura até o vencimento**: receberá exatamente a taxa contratada, independentemente de como o título foi marcado no extrato. - **Se o investidor vende ou resgata antes**: receberá o valor de mercado naquele dia — aí a marcação a mercado é a realidade.

**Comportamento do investidor**: a marcação a curva esconde a volatilidade, o que pode ser bom para quem ficaria nervoso vendo oscilações. Por outro lado, esconde também o custo de oportunidade — se as taxas subiram muito, o investidor está parado num título velho rendendo abaixo do mercado, mas o extrato não mostra isso.

**Mudança regulatória 2023**: a CVM/Anbima passou a exigir maior transparência na marcação a mercado de produtos antes "escondidos" pela marcação a curva, especialmente em previdência. O objetivo é evitar surpresas em resgates.

**Em fundos**: fundos de renda fixa são obrigados a marcar a mercado diariamente. A cota oscila. Em momento de alta de juros, fundo de prefixados pode ter rentabilidade negativa, gerando pânico em investidores que não entendem o mecanismo.

Exemplo prático

CDB prefixado de 12% a.a., 5 anos, R$ 10.000 investidos. Após 1 ano, Selic sobe e taxas de mercado para esse mesmo emissor sobem para 14%. - **Marcação a curva**: extrato mostra R$ 11.200 (12% sobre R$ 10.000). Investidor não percebe nada. - **Marcação a mercado**: preço justo do título cai para ~R$ 10.500 (porque, comprando hoje a 14%, daria mesmo valor final). Extrato mostraria R$ 10.500. Se segurar até o vencimento: nos dois casos recebe ~R$ 17.623. Se vender antes: na marcação a mercado, sente a perda; na curva, só sentirá no momento da venda (o banco vai recalcular o valor real).

Quando usar

Importante entender em qual modelo o produto trabalha para evitar surpresas. Em decisões de resgate antecipado, sempre verificar o valor de mercado real, não só o valor "na curva".

⚠ Armadilhas comuns

1. Achar que CDB e LCI "não têm marcação a mercado" — têm sim, só não aparece no extrato. Se for vender antes do vencimento, o banco vai precificar a mercado. 2. Entrar em pânico ao ver fundo de renda fixa com rentabilidade negativa sem entender que é marcação a mercado de títulos longos. 3. Achar que tesouro direto "perdeu dinheiro" porque o extrato caiu — quem segura até o vencimento recebe o contratado. 4. Comparar CDB e tesouro pela aparência do extrato sem normalizar pelo método de marcação. 5. Resgatar previdência sem saber se o produto é marcado a curva ou a mercado — pode pegar valor abaixo do esperado. 6. Confundir marcação a curva com "sem risco de oscilação" — o risco existe, só está mascarado.

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